Quando tudo quanto é sentimento já se foi entregue, quando você pensa que já sentiu o que havia por sentir, ela aparece em sua vida, te deixando completamente perdida, o universo parecia comum,sem graça, havia sol, arvores, vida, só não havia ar, e então aos poucos ela foi entrando, tomando conta, arrastando tudo como uma vaga do mar em tardes de inverno, a nós, resta tentar colocar a cabeça para fora d'agua e respirar, já que ir contra a correnteza de nada servia.
Deixar-se levar,e quando enxerga a situação, não pode mais manter os pés em terra firme, ela parecia sumir e voltar, conforme a intensidade do oceano, ali mudo era o mundo, ali, surdo era o coração, as vezes tentando nadar em sua direção, crendo que é possível chegar até lá. porém, inútil é o esforço, e o mar cismava em a deixar longe demais, na tentativa de fugir, sair da água, mais se descobre que o frio que lá fora faz é mais do que se pode suportar, e assim, segue-se a luta, nadadora desesperada, ela, porto inatingível, alguns diriam que há poesia nesse bailar, outros, que há somente esforço inútil para não se afogar.
A verdade é que enquanto ela se afastava, a nadadora continuava a insistir, e cada braçada dava no mesmo lugar, não era um esforço para avançar, era apenas a vontade de a trazer até ali, sonhando com o dia em que a maré pudesse virar.
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