sexta-feira, 26 de agosto de 2011

NÃO terminei. mas ai vai uma parte.


Sentei no banco da praça onde vivi um dos momentos mais fofos da minha curta vida, precisava de um lugar onde pudesse gritar por socorro, meses antes minha felicidade estava ali, na minha frente, personificada, um nome que me trazia toda a alegria.
Lembro-me de como nos conhecemos, a menina envergonhada que esperava no shopping, meu irmão ficou de nos apresentar, ela queria encontrar alguém para namorar, eu não queria nada, apenas ficar com uma garota nova, um sorriso tímido em nossas faces, já havíamos conversado antes por mensagens e pela internet, mas ali, pessoalmente foi intenso, já estávamos apaixonadas, só faltava a certeza que veio no primeiro beijo, o selinho roubado no banheiro de uma pizzaria após alguns drinks antes de ir embora.
“não é em todo beijo que se encontra uma paixão.”
Não era minha primeira namorada, não tinha sido meu primeiro beijo homossexual, mas a reação e sensação haviam sido as mesmas, coração descompassado, falta de ar, forte rubor e pernas tremulas ,5 segundos apenas, ela me afastou, segurou-se na bancada, fiquei insegura queria mais, sorriamos como crianças descobrindo um novo sentimento.
Chegou a noite e o frio, a abracei e comecei a esquentar seu corpo, estávamos atravessando a rua, ela ia me deixar na parada.
_Você ta me envolvendo- tentou se afastar, não deixei, eu a queria tão envolvida quanto eu já estava.
Não me lembro o que respondi, mas sei que ela disse em seguida algo assim:
_é estranho, nunca tive alguém pra cuidar assim de mim...
Entrei no ônibus e fiquei feliz, já tinha uma mensagem dela, era sempre assim, nos víamos, bastava virar as costas e ela já me mandava uma mensagem, pedi para ela atravessar a rua com cuidado, e assim que chegasse em casa era pra me mandar msg avisando, ela me pediu o mesmo.
Nos vimos outro dia, eu precisava ir trabalhar, ela tinha o costume de olhar pra mim escondida, quando eu olhava pra ela, virava a cara e sorria.
_Você tem olhos tristes – Nós duas tínhamos um passado repleto de magoas, frustações e expectativas falidas.
_Sou emo. –tentei brincar com a situação, na verdade eu tentei fugir.
_Seus olhos são lindos sabia? – ela tinha o dom de me deixar vermelha.
“seus olhos são distantes, tristes, parece que quer ir embora, fugir daqui... Ela se encontrou nos meus olhos, e talvez por isso tenha se apaixonado tão rápido.... Até então eu era a pessoa mais doce, fofa e boba que ela pode conhecer...”
já era tarde, o tempo passava rápido.
_Vou chegar atrasada.
_Vai não, é só ter fé! – Ela então me ensinou a fé dos dedinhos, é assim: você pega o seu dedinho e o dedinho da outra pessoa depositam ali a fé e fica pensando que o ônibus vai passar. Kkkkkkkkk ok, cheguei atrasada do mesmo jeito.
Uma gostava de sertanejo a outra de rock, 3 semanas de convivência diária, nos víamos toda tarde antes dela entrar para a aula , tentava impedi-la de ir, pedia mais 5 minutos, mais um beijo, abraçava forte, tentava o drama, as vezes ela cedia e ficava mais comigo, ficava me perguntando porque ela ia a aula se passava o tempo todo me mandando mensagem e falando que não conseguia se concentrar porque estava pensando em mim!
Certo dia fiquei esperando dá o intervalo dela na porta, encostei na pilastra e fiquei olhando ela e suas duas amigas de cursinho caminhando para a barraquinha de doces, morri de rir, ela era uma criança mesmo, vivia comendo besteira, nem me viu chegando, olhou pra trás e lá estava eu, que sorriso ela deu! Era ótimo saber que aquele sorriso todo era por me ver, ela sempre sorria quando me via, sorriso bobo, de apaixonada, Ela comprou salgadinho de Bacon, daqueles que vem no saquinho com um ketchup,
Sentamos todas na entrada do cursinho, ela nem reparou que pousou uma de suas mãos na minha perna, o sorriso não saia do rosto, fiquei morrendo de medo que suas amigas desconfiassem de algo, ela era muito discreta, não contava para as pessoas sobre sua opção, cruzei as pernas e me afastei um pouco para evitar transtornos...
Ela se sujava com toda coisa que comia, biscoito, sorvete, comia com uma cara de menina levada, eu ficava lá limpando sua boca, ela se envergonhava depois ria.
as meninas foram para a aula e ela foi me deixar la fora.
_Minha boca ta suja? – Perguntou na maior inocência.
_Posso limpar –  Cheguei mais perto” bem”  intencionada
_Aqui não amor , ta na frente do meu cursinho- Fez cara de triste, oun era tão fofa!! Eu fiz que ia embora
_Ei vai se despedir não? – fui la dei um abraço bem apertado como de costume e sai, ela puxou meu braço e me deu um beijo no canto da boca, sorriu maliciosamente
_Tchau – falou sussurrando divertindo-se da minha cara, malvada! Me deixou só na vontade!
Detalhes engraçados, ela gostava porém algo a incomodava quando eu cuidava dela,  ficava mais envolvida quando eu mostrava meu cuidado, ela também cuidava de mim, sempre fui muito displicente para atravessar a rua, ela vivia me puxando pelo braço, me segurando pra não atravessar , as vezes eu fazia de proposito só para tê-la ali mais perto, quando ela sentia ciúmes, ou quando eu falava alguma besteira ela beliscava minha perna e me olhava com cara feia, depois sorria como quem pede desculpas.
Olhos fechados, pude sentir o gosto do beijo, costumava beijar com delicadeza toda a sua face, decorar suas linhas, a tocava  como se fosse irreal, tinha medo de abrir os olhos e descobrir que tinha sido apenas um sonho.
_Porque você fica me olhando assim?
_Porque Você é linda!
_Para bebe, você que é!
Ela tinha uma serie de apelidos estranhos pra mim, “bebe nutelinha” era um deles, ela me acha a cara da menininha do meu malvado favorito também  kkkkkk mas quem sabia fazer o barulho com as bochechas era ela! Ela sempre perguntava “jura juradinho?”
Ela fechava os olhos, sorria, seus pelos se arrepiavam, me falava que sentia cada toque, cada beijo, fazia muito tempo que você não conseguia sentir isso.
Em minha mente esta gravado mínimos detalhes, não precisava fazer sexo com ela para senti-la, tinha algo além disso, combinamos de partir para essa etapa só após o casamento, nada me fazia mais feliz que vê-la fechando os olhos e  sorrindo com um simples toque.
Fomos na minha casa a noite, nos deitamos de frente para a outra, a luz azul do DVD, ouvindo mpb...
_Sou muito fria, geralmente não sinto alguns toques, não sinto nada na maioria do meu corpo, mas com você é diferente, eu sinto tudo, quando você passa a mão no meu cabelo, me abraça, passa a mão nas minhas costas, to redescobrindo alguns sentidos.
Começou a tocar “Amanha não se sabe”,  a nossa musica a partir de então.
  Quando estava com ela não parava de olha-la, desejava tanto estar com ela que não me permitia perder um segundo sequer, por isso as vezes ficava calada e isso bastava, não podíamos nos beijar em publico, íamos para um lugar vazio, a escada de incêndio do shopping, subíamos 3 pisos correndo, no final do terceiro a vontade era tanta que nos beijávamos com ardor, ofegantes entre um beijo e outro.
_Nossa amor... to sem folego
_Eu também amor...
E voltávamos a nos beijar entre uma pausa e outra para respirar conversávamos
Fomos olhar o céu no estacionamento superior do shopping, sentamos, acendemos um cigarro e ficamos conversando, ela me contou sobre sua preferencia por  “ paiol”,  por cidades do interior, me contou seus sonhos, seus desgostos, sua vida amorosa, e enfim sobre uma ex que foi tão estupida com ela que passei a odiá-la, odiei mais o fato dela ter machucado tanto a menina que eu amava, odiei o fato de alguém ter recebido amor dela e não ter dado valor, se fosse comigo...ah se fosse comigo! Queria tanto ser amada por ela.
_Você é tao linda, fico mo orgulhosa andando com um mulherão desses, e sabendo que você é minha – Jeito bobo de dizer, voz manhosa,  “minha” adorei ouvir aquilo.
_Sua! Sua, sua
_Fala de novo?
_Sua – falava no seu ouvido
Nos beijávamos, lembro que uma vez senti ciúmes da maneira que ela falava da ex, não tinha nada demais, era só ciúmes mesmo, eu fechava a cara na mesma hora, não queria mais olha-la,  era mais um dia em que ficávamos na escada de incêndio do shopping, sai do abraço dela e fiquei em pé ao seu lado.
_Ta com ciúmes do meu passado?
_Tô!! –Abaixei o rosto
_Olha pra mim – eu não olhava-    ela é passado, historia antiga, já acabou, não precisa sentir ciúmes dela, eu tô aqui não tô?! Com você!
_Uhum.
_Para amor, olha pra mim? – eu virava a cara, sentia vontade de chorar- Para amor, não precisa disso, não falo mais dela – aos poucos eu ia olhando mais pra ela
_Uhum. ta bom.- ela me beijava, eu não queria, ficava imóvel
_Me beija vai?
_Não.
_Amooorrr.....-falou docemente

_Você fica uma graça com ciúmes sabia? – e continuou me beijando
_AFF  A.
_É serio! –Começamos a rir, ciúmes bobo.
Nesse mesmo dia minutos antes conversando por mensagem esperei ela me dizer que já estava passando pela minha casa para entrar em um ônibus e ir encontra-la, brincamos que o motorista dela era barbeiro, fechou o meu ônibus, por coincidência o ônibus dela estava na frente do meu, nesse dia, não sei bem porque resolvi usar vestido,  meu ônibus ainda conseguiu passar do dela, ela foi chata me pediu pra ir andando pro shopping, disse como eu estava vestida pelo telefone, me elogiou, até que me pediu pra olhar pra trás, fiquei morrendo de vergonha.
_Você está tão linda! – Apesar da felicidade fiquei mega vermelha, e pensar que poucos dias antes eu ainda tinha o visual de rebeldezinha, agora usava vestido, ouvia sertanejo, e estava nas mãos de uma menina, tudo para agrada-la.
Chuva, eu amava a chuva! Perto do alameda em uma pracinha sentamos como de costume, começou a chover, ela olhou para o céu, uma gota caiu em seu rosto e escorreu pelo pescoço, linda, eu estava fascinada, não podia beija-la em publico, me contentei em passar a mão no seu rosto, ela me olhou com tanta doçura.
Fizemos planos de casamento, queríamos morar juntas o mais rápido possível, ela passaria em um concurso, quem sabe até mudaríamos de Brasília, imaginei nossos filhos ,teríamos  um casal, sonhei em dividir a cama, acordar beijando sua boca e sussurrando eu te amo.
Ela me ligava todos os dias, trocávamos mensagens a todo minuto, eu falava tanta besteira ela sorria e falava “amor bobo”  suspirava “saudade”.
Para ela ”a palavra saudade era quase o mesmo que me descrever, como um de seus sentimentos mais urgentes”.
A menina boba descobriu o amor.
A menina boba não soube amar.
Certo dia ela estava morrendo de cólica, passou 3 semanas sangrando, a apelidei de “vaca”
_não é possível um ser humano sangrar tanto, você só pode ser uma vaca.
_É assim é? Começou me chamando de linda, de amor e agora já tá me xingando de vaca
_Claro! Isso é quase impossível, nem uma vaca sangra tanto kkkkkkkkkkkk
_Rum! Idiota
_vaca
_ amor bobo.
Entramos na farmácia para escolher um hiper, mega absorvente, tinha que ser um com abas, e furinhos, ultra absorvente, ela passou minutos olhando cada um, lendo o rotulo, procurando o certo, até me pedir ajuda, era uma missão muito importante, que foi concedida a mim! A mulher que eu amava estava sangrando e necessitava do melhor absorvente! Kkkkkkkkk peguei o primeiro que vi na frente e a entreguei
_é esse aqui ô! Tem furinhos e abas
_Não ta escrito aqui não amor
_Tá sim ô, com abas
_Mas e os furinhos?
_Eu uso esse, serio, esse é bom e é uma das melhores marcas  -Gente como eu fui cara de pau, estava me divertindo muito, a morte era certa!
_Então ta bom, ain obrigada amor, não sei o que seria de mim sem você
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ri internamente, virei a cara pra sorrir!
Começamos em uma sexta, terminamos numa quinta, deixei meu diário com ela, não dividia meus pensamentos com mais ninguém, meu diário contém as coisas mais bobas, ela estava sendo a primeira em muitas coisas, nosso ultimo beijo foi quase igual ao primeiro.
Passamos a tarde no shopping, tinha que ir trabalhar, ela foi no mesmo ônibus que eu, uma viagem que demorou horas, curtimos a companhia uma da outra como se nada tivesse acontecido, desembarcamos e esperamos o ônibus dela voltar na parada, ela foi me da um beijo mas dessa vez quem se afastou foi eu, meu coração não aguentaria se despedir depois de um beijo, ela foi embora, da minha vida a principio, mas não do meu coração.
Sonhava quase toda noite com ela, nessas noites também chorava, não passava de um sonho, tive sonhos felizes os quais ficávamos juntas e os tristes o qual ela ficava com outras pessoas, era um martírio.
Desejava ter mais um dia com ela, um dia em que toda a nossa historia fosse apagada, que nos conhecêssemos de novo, como isso não era possível desejei mais um dia ao seu lado, não pediria um beijo, não precisava toca-la, necessitava apenas olhar.
Surgiu um acampamento da igreja, convidei ela para ir, só estava indo por ela também, longe de Brasília, longe dos meus pais, dos problemas, sabia que ela iria esquecer de levar o lençol então coloquei um a mais na mala, na verdade eu levei o dobro de tudo pra caso ela precisasse de algo.
Na primeira noite que íamos dormir eu enchi a cara, seria um sacrifício dormir ao seu lado sem poder toca-la, tinha que beber e dormir rápido, não podia estragar tudo, ela quase morreu de frio, emprestei o moletom pra ela vestir, a cobri com as duas cobertas, e a abracei, ela tremia de frio, era bom tê-la ali nos meus braços.
Ela amanheceu com dor de cabeça, andei  pela “grande” cidade de santo antonio do rio verde pra procurar uma farmácia aberta no domingo, em um sol de rachar,  dei graças a Deus por achar uma aberta no finalzinho da cidade, voltei o mais rápido que pude, seu nariz estava sangrando, peguei um papel e limpei com delicadeza, ela parece uma criança que precisa de cuidados e eu a babá kkkk
Não devo ter citado, além de ser linda, fofa, encantadora, apaixonante, ela canta e toca violão muito bem, no acampamento a encorajei a tocar um pouco, ela fez sucesso, ganhou plateia, apesar de estar morrendo de vergonha, não sai do seu lado, a abracei forte querendo passar segurança, eu estava ao seu lado.
Na volta deitei em seu colo, ela passava a mão nos meus cabelos, fiquei super triste de já estar indo, sua companhia me fazia bem, ela foi se enturmar com as meninas la no fundo da van, não sei o que deu nela, mas de repente ela me chama e mandou um beijo.
Essa historia não tem um final feliz do ponto de vista “romântico”, não ficamos juntas, nos magoamos, mas hoje estamos construindo uma relação de amizade, meu amor por ela permanece intacto mas  estou transformando a forma de amar .(ao menos estou tentando)
Te agradeço por ter me dado a melhor coisa da minha vida, o “amor”, com você descobri o sentido real disso, descobrir que amar vai além do nosso querer, ultrapassa nossa limitada linha de raciocínio, quando se ama  a própria vontade pouco importa, o “tempo” é só uma questão de tempo,  passei por cima do meu ciúmes, do meu sentimento, para te ajudar, para te ver feliz, fiquei triste a principio, mas feliz por fim, por que sua felicidade é o que importa mais, vendo a sua tenho relances da minha.

2 comentários:

  1. Que historia linda!!!! Que fofa você!!quanto amor.
    To com invejinha. kkk
    E o final trágico? como foi?

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  2. Obrigada *-* mas então para que contar o final?! se a parte mais bela foi a trajetória?!
    Mas vou pensar direitinho e ver se me lembro dos detalhes...ai faço um post. ;)

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